Estoicismo

A arte de viver

O estoicismo nasceu com Zenão de Citio em Atenas, aproximadamente no ano de 300 a.C., como uma escola de filosofia que tinha como principal objetivo aproveitar e sintetizar o que de mais positivo havia nas diversas escolas filosóficas que existiam nesse período. Mais tarde, o estoicismo chegaria a outras cidades como Alexandria, Babilónia e Roma. A última época do estoicismo é quase exclusivamente romana, sendo daí que saíram os nomes mais marcantes desta corrente filosófica – Séneca, Epicteto e Marco Aurélio – e que a tornaram num pensamento válido para o Ser Humano, em todos os lugares e ao longo de todos os tempos.

Para os estoicos, a vontade livre e pura é o princípio base de toda a sua conduta moral e assume-se como uma forma prática de vida. Eles não consideram a existência de qualquer determinismo, pois acreditam que o Ser Humano pode escolher o seu próprio caminho face às adversidades da vida. Embora não dependa dele evitar ou controlar alguns dos acontecimentos que lhe ocorrem, dele certamente depende a forma como se deve posicionar perante eles. Desta forma, não pode evitar o estado do tempo, um problema de saúde ou outros acontecimentos externos, mas pode decidir o modo como se posiciona para fazer face a qualquer adversidade da vida, isto é, dele dependem todas as decisões que estão dentro da sua natureza interna

Esta filosofia surge normalmente como resposta a tempos de crise, tal como os que vivemos atualmente, e à perda de valores e identidade próprios dos momentos de mudança. Através dum olhar para dentro de si mesmo, o Ser Humano pode redescobrir a sua natureza universal.

Epicteto

Epicteto foi um dos grandes filósofos estoicos, tendo vivido aproximadamente de 55 d.C. até cerca de 135 d.C.

As duras condições da sua vida como “escravo”, em vez de o afundarem, serviram de suporte para a sua alma independente e forneceram-lhe o sentido prático para o seu conceito de liberdade e felicidade humanas.

Para ele, a principal função da filosofia era ajudar as pessoas a enfrentar positivamente os desafios comuns do ser humano e a lidar com as inevitáveis perdas, mágoas e deceções da vida. Responder a estas duas perguntas foi a sua única paixão. Os seus ensinamentos equivalem-se aos contidos nas maiores obras que a civilização humana produziu.

“O aperfeiçoamento de talentos pessoais depende de ser honesto consigo mesmoProcure saber, em primeiro lugar, quem você é e do que é capaz. Assim como não se pode criar grandes coisas num instante, também leva tempo a aperfeiçoar os nossos talentos e atitudes. Estamos sempre a aprender e a crescer. É bom aceitar desafios. É desta forma que progredimos para o nível seguinte de desenvolvimento intelectual, físico ou moral. Ainda assim, não se iluda: se tentar ser alguém ou alguma coisa que não é, vai atrofiar o seu verdadeiro eu e vai acabar não desenvolvendo os potenciais em que se teria destacado naturalmente. Dentro da ordem divina, cada um de nós tem um chamado especial. Escute o seu e siga-o fielmente.”

Excerto da obra “A arte de viver” – Epitecto